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Coletivo Sem Paredes no Observatório da Diversidade Cultural

Coletivo Sem Paredes

Projeto de Juiz de Fora, em Minas Gerais, é exemplo de continuidade do curso Pensar e Agir com a Cultura
23/12/2010

 

Por Leandro Lopes, da Redação do ODC

Foto: Coletivo Sem Paredes

 

Um dia, uma socióloga da arte, uma designer e um cinéfilo e jornalista convidaram um músico, um técnico do audiovisual, um diretor de fotografia e um outro designer para tentar despertar em Juiz de Fora, em Minas Gerais, a potência cultural da cidade. Assim surgiu o Coletivo Sem Paredes, uma rede colaborativa de trabalho no campo da cultura e da arte, que agrega produtores e agentes culturais de variadas inspirações. “O Coletivo pretende ser um ponto de contato para artistas e produtores culturais e um vetor de informação, formação e circulação destes artistas e obras no cenário regional e nacional”, resume Virginia Strack, a socióloga da arte da história acima.

 

Segundo ela, o coletivo nasceu de uma paixão pela arte e pela percepção de que Juiz de Fora é uma cidade rica culturalmente e muito bonita em termos de arquitetura e patrimônio ambiental. Juntou-se a isso as discussões ocorridas no curso de Desenvolvimento e Gestão Cultural, promovido pelo Pensar e Agir com a Cultura, do Observatório da Diversidade Cultural, na cidade.

 

“O Coletivo é um “filho” do Pensar e Agir tanto por conta da formação que o curso  nos ofereceu, os conceitos e estratégias para o trabalho com a cultura, como também pelo encontro que ele proporcionou. Nós só poderíamos iniciar este trabalho, se vibrássemos numa frequência comum de pensamentos. Antes de qualquer coisa precisávamos compreender certos conceitos do trabalho em rede para que pudéssemos nos organizar sob essa perspectiva. No curso, muitos dos conceitos do trabalho coletivo e em rede já eram abordados e eu percebi que a oportunidade de reunir pessoas num coletivo cultural estava ali mesmo na nossa turma”, conta. Foi desta turma que saiu a designer Ana Loureiro e o cinéfilo e jornalista Daiverson Machado (da história acima). Além dos amigos, Guto Gomes (músico), Daniel Correa (técnico de audiovisual), João Paulo Lopes (designer) e Gian Martins (diretor de fotografia).

 

Virginia conta que todos que toparam a empreitada já viam de atuações individuais. “A nossa junção é uma estratégia de inteligência. O Sem Paredes abriga a “Dionisíaca” que é uma promotora de música, abriga o “Cineclube Bordel Sem Paredes”, a “Lupa Vídeo Produtora Audiovisual”, o “Estúdio Nave” e a “Aqui Tem Cultura”, produtora que trabalha com artes cênicas”.

 

O objetivo principal é estimular a produção e circulação do material artístico independente. O projeto está também ligado aos conceitos de diversidade cultural. Para Virginia, o que faz a cultura é a diferença. “É a possibilidade de que os mais variados grupos sociais e artísticos se encontrem, troquem e engendrem novas formas de sociabilidades, arte e cultura. A própria vivência singular dos componentes, nas mais diferentes áreas e formações, contribui para a construção de um ambiente que propicia a troca e a ampliação da visão de mundo”.

 

Há duas semanas, o Coletivo Sem Paredes foi lançado em Juiz de Fora com a presença do coordenador de Articulações do Observatório da Diversidade Cultural, José Oliveira Junior. Para conhecer mais sobre o Coletivo, basta acessar aqui!

http://www.observatoriodadiversidade.org.br/?pag=noticias_detalhe&id=615

 

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Robert Kurz, autor de “O Colapso da Modernização” faz palestra no Brasil

Palestra com Robert Kurz encerra Ciclo Indústria Cultural

por: Equipe Cultura e Pensamento

A Escola da Cidade – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e parceiros promovem, no dia 17 de novembro (quarta-feira), às 18h30, a palestra “Atualidade dos conceitos de Adorno e Horkheimer”, com o filósofo alemão Robert Kurz. A apresentação é aberta ao público gratuitamente e será feita em alemão, contando com tradução. O evento será transmitido ao vivo pela internet.
Esta é a última atividade do ciclo de palestras e debates Produção, distribuição e consumo cultural: A Indústria Cultural no Século 21, iniciado no mês de setembro. A iniciativa foi contemplada pela seleção pública de debates presenciais do programa Cultura e Pensamento 2009/2010, do MinC. Até o momento, foram realizadas seis palestras, presenciadas por um público de cerca de 250 pessoas (por encontro), além da audiência que acompanhou as transmissões digitais.
ADORNO E HORKHEIMER – Theodor Adorno e Max Horkheimer elaboraram o conceito de indústria cultural na década de 1940. No entanto, desde então o mundo passou por inúmeras transformações. Robert Kurz falará sobre como atualizar esse conceito, observando em que medida suas categorias ainda são pertinentes e traduzindo tal discussão para um público amplo. Discutirá ainda, dentre outros pontos, as alterações no conceito de indústria cultural imprescindíveis para a compreensão, na atualidade, dos processos de produção, de difusão e de consumo cultural.
Jornalista e escritor, Robert Kurz foi cofundador da revista teórica EXIT! – Crítica e Crise da Sociedade da Mercadoria. Filósofo alemão, também é formado em História e em Pedagogia. Escreve artigos em vários países. Autor, dentre outros livros, de Com todo vapor ao colapso (Juiz de Fora, Ed. UFJF, 2004), Schwarzbuch Kapitalismus [Livro negro do capitalismo] (Berlim, Ullstein, 2001), Últimos combates (São Paulo, Vozes, 1998), O retorno de Potemkin (tradutor: Wolfgang Leo Maar, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1994) e O colapso da modernização (tradutor: Karen Elsabe Barbosa, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1991).
RESULTADOS – Segundo os curadores Ricardo Musse e Afrânio Catani, “o ciclo tem sido um sucesso não só pela afluência de um público interessado e empenhado em debater, mas também em termos intelectuais. A série de palestras revisou, de maneira inédita, a situação da indústria cultural em várias áreas na atualidade brasileira. Sem contar o debate implícito sobre a pertinência hoje do conceito desenvolvido por Adorno e Horkheimer nos anos 1940, cujo fecho será dado pelo filosofo alemão Robert Kurz”.
Para as professoras da Escola da Cidade, Fernanda Pitta e Ana Castro, que estiveram envolvidas no desenvolvimento do ciclo, “a iniciativa foi importante por trazer intelectuais de diversos campos do conhecimento que contribuíram para a formação mais ampla e aprofundada dos alunos de Arquitetura e Urbanismo da Escola o que, com certeza, mostrará frutos na atuação desses alunos daqui para frente e em suas vidas profissionais que começam em breve”.
O programa de palestras e debates Produção, distribuição e consumo cultural: A Indústria Cultural no Século 21 foi desenvolvido em parceria com o Ministério da Cultura – Minc, Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão – Fapex e patrocínio da Petrobras. A parceria com as instituições é fruto de um trabalho conjunto da Escola da Cidade, com a Editora Hedra, o curador Ricardo Musse, da Universidade de São Paulo (USP) e com o curador associado, Afrânio Mendes Catani (USP).

SERVIÇO
Local: Auditório da Aliança Francesa – Rua General Jardim, n. 182 (próximo ao Metrô República) – São Paulo/SP
Data: Quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Horário: 18h30
Informações/Transmissão On line: http://www.escoladacidade.edu.br| http://www.culturaepensamento.net.br

http://blogs.cultura.gov.br/culturaepensamento/debates/palestra-com-robert-kurz-encerra-ciclo-industria-cultural/

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O ethos Fora do Eixo

Fora do Eixo

A participação e o envolvimento com esta rede de trabalhos na arte, política e cultura é capaz de provocar reflexões muito interessantes a respeito de diversos temas da vida social, mas também ecoa sensações de muito impacto na construção da subjetividade de cada um.

Além das tecnologias, metodologias, modos de produção e gestão, o Circuito Fora do Eixo acaba gerando um verdadeiro estilo de vida.

O ethos Fora do Eixo pode ser identificado em diversos comportamentos: A colaboração que rege as ações macro da Rede aparece de forma micro na “brodagem” entre os subgrupos internos. É o “racha” da gasolina, do cigarro, da cerveja… aquele cantinho pra dormir na casa de alguém. O empréstimo do computador, o cabo, o telefone. As relações vão se estreitando cada vez mais e durante as pausas para o cigarro, ou naquela hora do rango, as pessoas discutem seus pontos de vista, contam o que são e o que fazem, quais são suas paixões.

A manipulação da vestimenta como código de identificação do eu diante do grupo ou a representação que é forjada pela roupa também é um traço interessante do Circuito. Os homens sempre defendendo suas preferências futebolísticas através das camisas, trajando o bom e velho jeans rasgado pra sentar no chão, o que também indica o espírito guerreiro, rebelde. Através dos cabelos compridos e/ou grisalhos, e/ou bagunçados e da barba (como não? todo revolucionário que se preze já cultivou uma barba) esses homens se afirmam como pessoas interessantes e inteligentes.

As meninas sempre sóbrias, com muito cuidado pra não deixar beleza e vaidade se tornarem sinônimos de futilidade ou fragilidade. E também através de seus jeans, colares psicodélicos e suas saias à la 60’s, também se afirmam como mulheres fortes e elegantemente interessantes. Assim, ao lado da sonoridade, da plástica, a poesia peculiar, a diversidade de linguagens e técnicas, a paisagem que vemos formar pelos sujeitos particulares também ajuda a construir a estética que define o Fora do Eixo.

A mediação das relações pela tecnologia também é algo muito intenso. O vocabulário, os códigos, o entendimento entre as pessoas e o processo carece fortemente do entendimento de certas tecnologias atuais. A conversação se dá utilizando tais códigos, criando quase que um vocabulário próprio.

Mas como um típico acontecimento do limiar da modernidade, a complexidade do processo é imensa, este amálgama envolvendo pessoas e produtos, matéria e sentimentos, é uma corrente que envolve poder e ao mesmo tempo desprendimento.

Ao lado das relações de poder muito nítidas que a rede é capaz de construir, desenrolam-se também relações de amor, amizade e cuidado com o outro. Nos encontros presenciais, discussões começam a ser levantadas por psicólogos, poetas, filósofos e historiadores que participam da rede, explicitando cada vez mais tal complexidade e dando uma prova de que o movimento se torna mais maduro ao fomentar a interdisciplinaridade. Idéias de troca, aproveitamento, respeito, racionalização de recursos – materiais, humanos e ambientais – circulam por entre os sujeitos tornando o convívio extremamente rico e interessante.

Não só do ponto de vista das técnicas culturais, mas também no que se refere ao crescimento interior e à sociabilidade. A rede como um todo funciona muito bem como um referencial de sentido a todos os envolvidos. Sentido na concepção cara de Max Weber como aquilo que move a ação, como aquilo que anima o agente. Os conceitos que a Rede põe a circular, as possibilidades que mostra estarem ao alcance de todos, colaboram na construção de uma ação individual muito mais carregada de lucidez, amadurecimento interno e posicionamento diante do mundo. Revoluções na intimidade, redimensionamento pessoal. Além de um importante meio de circulação de arte e artistas, a vivência dos valores emanados pelo Circuito Fora do Eixo é capaz de provocar questionamentos, crescimento e fortalecimento do eu ao passo que acabam reverberando em todos os outros setores da vida do indivíduo. Ninguém consegue passar ileso!

O que é o amor? O amor não se mede, não se pega, não se carrega, não se põe na caixa nem manda por email. O amor só se pode sentir, no máximo alguns artistas conseguem fazer dele música ou poema.

Mas imaginemos duas pessoas que se casam por amor, por exemplo: Essas pessoas se casaram, fizeram uma festa, que por sua vez fez circular dinheiro no gasto com roupas, fornecedores e locação; os noivos pedem férias no trabalho para sair em lua de mel; os convidados se movimentam por seu turno na compra de roupas, presentes e passagens para ir ao casório. Esse casal pode ter filhos, colocá-los na escola, comprar uma casa, registrá-la e prestar contas ao Estado, enfim… Não é possível perceber aí a vida social em movimento? Não fica claro que apesar de um elemento tão abstrato, o amor é capaz de construir e gerar situações absolutamente objetivas?

Portanto é necessário dar dignidade à discussão das questões imateriais, tácitas e subjetivas, pois estas são tão reais quanto as mais aparentemente pragmáticas e materiais. O amor, a energia ou o ethos Fora do Eixo fazem-se perceber e são vividos por todos. Mais do que as TEC’s, o portal ou as turnês, a sobrevivência da Rede depende da circulação destes sentimentos.

 

Virgínia Strack

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