Arquivo de outubro \30\UTC 2010

04/11/10 – MAMM – MUNDO URBANO

Mundo Urbano no MAMM

Música Instrumental Brasileira
O encontro musical de dois grandes instrumentistas brasileiros, o multipercussionista Luís Ribeiro e o violonista Luís Leite traz para o Músicamamm o projeto Mundo Urbano nesta quinta-feira, 04 às 20h. Baseado na diversidade da música instrumental brasileira,  o projeto explora diferentes ritmos, cruzando fronteiras e desvendando novos rumos musicais. O show acontece no Museu de Arte Moderna Murilo Mendes (MAMM) com entrada franca.
O Duo também explora o dialogo entre o “Acústico” e o “Eletrônico”, utilizando sutilmente loops e efeitos para criar variedade e riqueza sonora. Uma infinidade de timbres e cores, unida a um forte senso rítmico faz desse projeto uma experiência musical única.
Luis Ribeiro trabalhou com grandes nomes da música internacional como Jaroslaw Zawadski convida: Bob Berg, Erick Marienthal, Bill Evans, Frank Gambale und Dean Brown; também tocou e/ou gravou com Vienna Art Orchestra & Ray Anderson, Bennie Maupin & John B. Williams Project, Gloria Gaynor, DJ Tom Novy, Gstone, Dancing Stars, Sandra Pires, Count Basic, Timna Brauer, u.v.a.
Luis Leite é um dos destaques da nova geração de violonistas brasileiros. Luis recebeu diversos prêmios internacionais pelo seu trabalho e realizou turnês em mais de 20 países. “Um verdadeiro virtuose do violão” (Concerto Magazine); “Luis Leite possui uma técnica capaz de qualquer coisa” (Classical Guitar Magazine).

www.mundo-urbano.com

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O ethos Fora do Eixo

Fora do Eixo

A participação e o envolvimento com esta rede de trabalhos na arte, política e cultura é capaz de provocar reflexões muito interessantes a respeito de diversos temas da vida social, mas também ecoa sensações de muito impacto na construção da subjetividade de cada um.

Além das tecnologias, metodologias, modos de produção e gestão, o Circuito Fora do Eixo acaba gerando um verdadeiro estilo de vida.

O ethos Fora do Eixo pode ser identificado em diversos comportamentos: A colaboração que rege as ações macro da Rede aparece de forma micro na “brodagem” entre os subgrupos internos. É o “racha” da gasolina, do cigarro, da cerveja… aquele cantinho pra dormir na casa de alguém. O empréstimo do computador, o cabo, o telefone. As relações vão se estreitando cada vez mais e durante as pausas para o cigarro, ou naquela hora do rango, as pessoas discutem seus pontos de vista, contam o que são e o que fazem, quais são suas paixões.

A manipulação da vestimenta como código de identificação do eu diante do grupo ou a representação que é forjada pela roupa também é um traço interessante do Circuito. Os homens sempre defendendo suas preferências futebolísticas através das camisas, trajando o bom e velho jeans rasgado pra sentar no chão, o que também indica o espírito guerreiro, rebelde. Através dos cabelos compridos e/ou grisalhos, e/ou bagunçados e da barba (como não? todo revolucionário que se preze já cultivou uma barba) esses homens se afirmam como pessoas interessantes e inteligentes.

As meninas sempre sóbrias, com muito cuidado pra não deixar beleza e vaidade se tornarem sinônimos de futilidade ou fragilidade. E também através de seus jeans, colares psicodélicos e suas saias à la 60’s, também se afirmam como mulheres fortes e elegantemente interessantes. Assim, ao lado da sonoridade, da plástica, a poesia peculiar, a diversidade de linguagens e técnicas, a paisagem que vemos formar pelos sujeitos particulares também ajuda a construir a estética que define o Fora do Eixo.

A mediação das relações pela tecnologia também é algo muito intenso. O vocabulário, os códigos, o entendimento entre as pessoas e o processo carece fortemente do entendimento de certas tecnologias atuais. A conversação se dá utilizando tais códigos, criando quase que um vocabulário próprio.

Mas como um típico acontecimento do limiar da modernidade, a complexidade do processo é imensa, este amálgama envolvendo pessoas e produtos, matéria e sentimentos, é uma corrente que envolve poder e ao mesmo tempo desprendimento.

Ao lado das relações de poder muito nítidas que a rede é capaz de construir, desenrolam-se também relações de amor, amizade e cuidado com o outro. Nos encontros presenciais, discussões começam a ser levantadas por psicólogos, poetas, filósofos e historiadores que participam da rede, explicitando cada vez mais tal complexidade e dando uma prova de que o movimento se torna mais maduro ao fomentar a interdisciplinaridade. Idéias de troca, aproveitamento, respeito, racionalização de recursos – materiais, humanos e ambientais – circulam por entre os sujeitos tornando o convívio extremamente rico e interessante.

Não só do ponto de vista das técnicas culturais, mas também no que se refere ao crescimento interior e à sociabilidade. A rede como um todo funciona muito bem como um referencial de sentido a todos os envolvidos. Sentido na concepção cara de Max Weber como aquilo que move a ação, como aquilo que anima o agente. Os conceitos que a Rede põe a circular, as possibilidades que mostra estarem ao alcance de todos, colaboram na construção de uma ação individual muito mais carregada de lucidez, amadurecimento interno e posicionamento diante do mundo. Revoluções na intimidade, redimensionamento pessoal. Além de um importante meio de circulação de arte e artistas, a vivência dos valores emanados pelo Circuito Fora do Eixo é capaz de provocar questionamentos, crescimento e fortalecimento do eu ao passo que acabam reverberando em todos os outros setores da vida do indivíduo. Ninguém consegue passar ileso!

O que é o amor? O amor não se mede, não se pega, não se carrega, não se põe na caixa nem manda por email. O amor só se pode sentir, no máximo alguns artistas conseguem fazer dele música ou poema.

Mas imaginemos duas pessoas que se casam por amor, por exemplo: Essas pessoas se casaram, fizeram uma festa, que por sua vez fez circular dinheiro no gasto com roupas, fornecedores e locação; os noivos pedem férias no trabalho para sair em lua de mel; os convidados se movimentam por seu turno na compra de roupas, presentes e passagens para ir ao casório. Esse casal pode ter filhos, colocá-los na escola, comprar uma casa, registrá-la e prestar contas ao Estado, enfim… Não é possível perceber aí a vida social em movimento? Não fica claro que apesar de um elemento tão abstrato, o amor é capaz de construir e gerar situações absolutamente objetivas?

Portanto é necessário dar dignidade à discussão das questões imateriais, tácitas e subjetivas, pois estas são tão reais quanto as mais aparentemente pragmáticas e materiais. O amor, a energia ou o ethos Fora do Eixo fazem-se perceber e são vividos por todos. Mais do que as TEC’s, o portal ou as turnês, a sobrevivência da Rede depende da circulação destes sentimentos.

 

Virgínia Strack

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